* Por Fabio Camara

Muito se fala sobre a falta de mão de obra no mercado de TI, mas pouco sobre as soluções possíveis para aumentar o número de profissionais qualificados. A preocupação com o déficit de mão de obra é pertinente. Segundo a Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom), quase 800 mil novas vagas de trabalho com tecnologia devem ser criadas no Brasil até 2025 e 67% delas – mais de meio milhão – podem não ser preenchidas por falta de profissionais. Ou seja, a ausência de pessoas qualificadas é um fato. O problema está na visão limitada que encontramos no mercado sobre o que torna alguém qualificado para atuar com TI e como solucionar esse apagão de mão de obra.

Vou compartilhar uma reflexão com vocês que abordo bastante em minhas discussões. Se um profissional deseja começar na carreira de programador, é automático pensarmos que ele obrigatoriamente precisa cursar uma faculdade de ciências da computação, correto? Mas isso não é necessário. Esse profissional que quer se tornar um programador tem acesso a diversos conteúdos gratuitos na internet e com apenas um computador, livros, vídeos no YouTube ou cursos gratuitos, ele tem o suficiente para começar a estudar e conseguir um emprego na área.

Falando assim pode parecer impossível e como sociedade temos realmente um problema em acreditar que somos capazes de estudar sozinhos e de começar uma transição de carreira em poucos meses. Mas se ouvimos diversas histórias de pessoas que se tornam fluentes em inglês sozinhas, por que não podemos aplicar isso à programação e a outras posições dentro da tecnologia? A transição de carreira pode começar nessa consciência de capacidade de estudo por conta própria, no planejamento, investimento de tempo, dedicação, e no entendimento de que não é necessário ter experiência na área para poder ingressar no ramo que deseja.

Acredito que é papel das empresas, companhias, criarem soluções para essa demanda no mercado de trabalho. E por isso, investimos cada vez mais em ações como o nosso Programa de Formação. E aqui, trago minha história pessoal. Eu mesmo passei por uma transição e busquei me aperfeiçoar sozinho, pois queria trabalhar com tecnologia. Por isso acredito que qualquer pessoa pode trilhar esse caminho também e sem ter que, em princípio, passar por uma graduação. Conheço e temos centenas de histórias que começaram dessa forma. As empresas estão investindo em pessoas que querem aprender e que demonstram força de vontade e iniciativa. Esse sim é o maior diferencial na hora de concorrer a uma vaga, mais do que qualquer título.  

*  Fabio Camara, CEO do Grupo FCamara

Aviso: A opinião apresentada neste artigo é de responsabilidade de seu autor e não da ABES – Associação Brasileira das Empresas de Software

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