As transformações das tecnologias de comunicação e informação têm trazido, cada vez mais, a necessidade de diferentes perfis de profissionais para atuar com o desenvolvimento de softwares. Quando se analisa o crescimento do setor brasileiro e a melhora na competitividade nacional, a questão da formação de profissionais é citada como um aspecto crítico e traz desafios.
 
De acordo com Archimedes Ferrari Neto, coordenador do curso Tecnologia da Informação do CEUNSP, “fazer, com vontade e eficiência, um curso na área de Tecnologia da Informação, em nossos dias, é uma decisão importante para o futuro profissional.  Hoje, os computadores estão em todos os lugares. Aprender e aproveitar os seus recursos é fundamental. Sem dúvida, os cursos de graduação em TI são uma ponte para usufruir das ferramentas que essa área oferece”.
 
Por seu lado, Vinicius Miana Bezerra, professor de software da Universidade Mackenzie, ressalta que “a formação acadêmica é um importante primeiro passo, mas ela por si só não basta, pois, as empresas analisam o currículo, onde avaliam cargos e funções exercidas, mas também estão interessadas em saber sobre as realizações. Neste sentido, a construção de um portfólio passa a ter um papel relevante”. Este portfólio pode ser construído a partir de projetos pessoais, participação em projetos open source, estágios, trabalhos como freelance. entre outras atividades. “Fazer parte das redes sociais de desenvolvedores para acompanhar a comunidade e mostrar o seu trabalho tem se tornado cada vez mais importante, muitas empresas no processo de seleção querem saber se o profissional é usuário do github, do stack overflow, entre outros sites”, completa Bezerra.
 
Competências vão além dos aspectos técnicos
As novas demandas na formação estão sintonizadas com o ritmo acelerado do crescimento do mercado de TI, que afeta as exigências para quem atua nesse ramo, que vão além do imprescindível conhecimento técnico. “Existem algumas competências que são grandes diferenciais para os profissionais de Tecnologia da Informação. Hoje em dia, o desenvolvedor deve estar sempre aberto às inovações, muitas vezes se antecipando às novas tecnologias. Ele também deve compreender os principais objetivos estratégicos da empresa na qual trabalha ou para quem presta serviços”, explica Ferrari Neto.

Outras duas competências importantes são: 1) gestão de tempo, pois atrasos no desenvolvimento de sistemas impactam diretamente com as questões de qualidade e custo, desta forma, o cumprimento dos prazos são de extrema importância; 2) relacionamento interpessoal, pois o profissional irá trabalhar em equipe, pois a área de TI presta serviços e suporte para a organização como um todo.    

Para Bezerra, “ser desenvolvedor não é mais apenas escrever um pedaço de código e passar para frente. O profissional deverá garantir que o software irá funcionar no ambiente de produção, por meio de testes e da própria construção da infraestrutura de produção necessária, que pode ser feita programaticamente com o advento do DevOps. O profissional passa a ter que entender mais de redes, sistemas operacionais, banco de dados e como configurar isso dentro do framework de DevOps utilizado”, destacou. 
 
"São perfis que utilizam seu conhecimento para o benefício do core business da empresa. Ao mesmo tempo, mantêm-se atualizados diante da rápida evolução tecnológica e conseguem encontrar maneiras de aplicar novidades e tendências no ambiente corporativo", diz Felipe Duarte, responsável pelos mercados de TI & Digital da consultoria People Oriented. Desta forma, o processo de transformação digital pelo qual passam grandes empresas alterou o perfil do desenvolvedor e do executivo de tecnologia. “No lugar do profissional responsável apenas por questões operacionais, surgem os novos líderes digitais, que precisam entregar soluções tecnológicas capazes de melhorar os resultados dos negócios em si, o que inclui um tino comercial”, completa.
 
Conhecimento de base soma-se à atualização constante 
 
O professor do Mackenzie, Vinicius Miana Bezerra, explica que a carreira no setor de TIC exige constante atualização, mas ela se fundamenta em princípios com mais de 50 anos. “Machine Learning, por exemplo, é o resultado dos avanços em inteligência artificial, que foi criada em 1956. Aliás, a computação foi criada antes do computador. Entender bem os conceitos é fundamental para conseguir acompanhar melhor os mais recentes avanços e separar o que é hype do que é disrupção. Muitas grandes empresas têm isso muito claro e, por isso, é comum ver em processos de seleção testes e entrevistas envolvendo questões de disciplinas clássicas, como algoritmos e estruturas de dados”. 
 
Vale lembrar que o desenvolvimento das novas tecnologias é acompanhado por um grande número de sistemas atacados por hackers, vírus, spams, spywares e outros tipos de ameaças. Por isso, “na identificação das vulnerabilidades, o profissional da área precisa ser minucioso, levando em consideração todos os riscos existentes, desde aqueles gerados por erros de programação, má configuração ou simplesmente falha humana, sem intenção premeditada, como também os ataques deliberados”, informou o coordenador do curso do CEUNSP, Archimedes Ferrari Neto. “Todos os riscos mapeados devem ser identificados, o que possibilitará a aplicação de medidas concisas com a sua infraestrutura, sendo a solução adequada com a sua necessidade. A análise vai efetivamente mapear os programas e serviços que possam conter falhas e vulnerabilidades”, finaliza.

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